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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Posse do Secretário Municipal da Juvntude Rogério do PT.




JUVENTUDES E VULNERABILIDADES
Apesar do significativo aumento da população juvenil brasileira na virada do século, o Brasil não se preparou para atender às necessidades básicas desses brasileiros. Faltam-lhes escolas de boa qualidade, segurança, emprego e políticas públicas que visem à melhoria da qualidade de vida.
No final do século, a situação é outra: o crescimento da população juvenil ocorre num momento de mercado recessivo, forte desemprego e incremento dos problemas urbanos, o que torna ainda mais precárias as condições de vida da população em geral. (SEADE, 1998, apud Matheus, 2003)
Recentemente a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) divulgou, em Brasília, o "Mapa da Violência 2006 – Os jovens do Brasil" o qual deixa o Brasil ocupando a terceira posição entre os países com as mais altas taxas de assassinatos de jovens no mundo. Segundo o estudo, elaborado em dados oficiais, a taxa de homicídios de jovens brasileiros, entre 1994 e 2004, cresceu a um ritmo maior de assassinatos entre a população total. Julio Jacobo Waiselfisz, Coordenador da OEI, durante a apresentação do trabalho afirmou que:
Mais de vinte por cento da população jovem não estuda nem trabalha. Isso significa rua, bares, álcool, droga, transgressão de normas. Existe um jeito jovem de viver, mas também um jeito jovem de morrer.
Os dados da Organização comprovam que tanto os problemas sociais como urbanos expõem a juventude a situações de vulnerabilidade. Para Castro e Abramovay (2005, p. 56), na elaboração de políticas públicas relacionadas a juventudes, o conceito de vulnerabilidade deve ser considerado sob vários enfoques: vulnerabilidades - desigualdades sociais, problemas estruturais e possibilidades; jovens como sujeitos de direitos e atores de desenvolvimento. Acreditam que pensar as juventudes como uma simples fase de transição e ajustamento à idade adulta é um dos principais obstáculos para a elaboração de políticas públicas voltadas para os jovens. Estes, instigados a falar sobre a situação vivenciada, externam:
"Ser jovem é você correr atrás do seu futuro sem medo de preconceitos, mesmo sabendo que é uma guerra para conseguir seu primeiro emprego, ser confiante e lutar com todas as forças para conseguir seus ideais". (J., estudante da 2ª série / Ens. Médio, do Col. Est. Kleber P. de Oliveira)
"O jovem quando começa suas tentativas fica com medo de ser desvalorizado em seus esforços e isso acaba gerando atitude de incapacidade.(...) A pior dificuldade de ser jovem são as pressões familiares, a luta pelo primeiro emprego e a aceitação consigo mesma e com os outros". (S., idem)
As autoras chamam a atenção sobre a necessidade da discussão acerca da importância de conceber "vulnerabilidades positivas" ou o sentido de alerta que muitas vulnerabilidades sugerem, como desencantos, buscas, pedidos de socorro, falta de referências, projetos coletivos mobilizadores, limites de uma cultura de consumo, individualismo narcíseo.
Necessário se faz também conhecer os jovens segundo suas próprias apresentações e saber como representam a sociedade para que sejam reconhecidas identidades com perfis socioculturais próprios, o que, por sua vez, terá implicações para as políticas públicas para juventudes. Erroneamente, as políticas públicas consideram os jovens apenas como um segmento de seu amplo público-alvo. No Brasil, as políticas públicas voltadas para a juventude se concentram em determinados grupos, na maioria dos casos, os considerados em situações de risco ou envolvidos em conflito coma lei, sem levar em conta as necessidades, vontades e proposição dos jovens.
Essas constatações atestam a necessidade de elaboração de políticas públicas com a participação ativa dos jovens, visto que estes têm capacidade de organizar-se, levantar questões, propor soluções e sustentar relações dialógicas com outros atores sociais no plano de decisões programáticas. Os próprios jovens, em sua maioria, desconhecem a existência de alguns programas a eles dirigidos elaborados por setores públicos e privados.
Isso se dá porque não há a devida divulgação na mídia. Quando, por exemplo, houve o lançamento da Política Nacional de Juventude, em março de 2005, pelo Governo Federal, a grande mídia destinou pouco espaço, segundo uma reportagem da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Além da ampla informação aos jovens sobre as políticas públicas, é mister o envolvimentode toda a sociedade civil no intuito de reverter o quadro caótico que ora se apresenta envolvendo a juventude brasileira.
A população jovem do país constitui-se em um público-alvo de uma série de estratégias, típicas de qualquer sociedade capitalista, necessárias e/ou intencionais (marketing, mídia, indústria de consumo e de lazer) voltadas exclusivamente para este grupo. Estando expostos a tantos apelos, fica muito difícil que os jovens não sejam levados a atendê-los e, algumas vezes sofrerem por suas conseqüências. Não é possível, muito menos, afastá-los desta ou daquela estratégia para que não sejam influenciados. O esperado é a união dos grupos sociais que atuam mais diretamente junto à juventude (família, escola, organizações civis e/ou públicas) para oferecerem condições para os adolescentes se tornarem atores do desenvolvimento, podendo opinar criticamente sobre a construção e o destino da sociedade em que vive.

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